Allen balançou a cabeça.
— Não. Cada uma de vocês é livre. E Wade ficará na prisão por muitos anos.
As quatro irmãs mais novas choraram de alívio, abraçando-se. Naelli sorriu diante da alegria delas, mas seus olhos, sem perceber, desviaram-se para Caleb.
Quando os delegados partiram, as irmãs começaram a fazer planos para retornar à tribo. Elas sentiam falta da terra vermelha e do bater dos tambores.
Naquela tarde, Caleb foi ao estábulo verificar as selas para a viagem de volta. Naelli aproximou-se por trás.
— Você acha que eu vou com elas? — ela perguntou.
Caleb virou o rosto, evitando o olhar dela.
— Você deveria ir. É lá que você pertence. É seguro lá, e você não me deve nada.
Naelli deu um passo à frente e colocou a mão no braço dele, parando-o.
— É exatamente por isso que eu quero ficar.
Caleb olhou para cima. Os olhos escuros dela agora continham uma calma que ele nunca vira antes. Sem mais medo. Sem submissão. Não mais a irmã pendurada em um poste, mas uma mulher completamente livre.
— Eu não estou ficando pelo que eu disse amarrada naquele poste — disse Naelli. — Nem por gratidão, nem por culpa. Eu escolho, porque eu quero.
Caleb sentiu a garganta apertar. E naquele momento, ele entendeu que o que quer que compartilhassem havia crescido além do medo, além das cicatrizes.
— Você me devolveu o direito de escolher — disse ela, colocando a mão sobre o peito dele. — Agora me deixe usá-lo. Eu vou ficar.
Nos dias após a partida das irmãs, o Rancho Ironwood mergulhou em um silêncio profundo e tranquilo. Apenas Caleb e Naelli permaneceram — duas almas unidas por uma escolha que ainda não sabiam nomear.
Pelas manhãs, trabalhavam lado a lado. À tarde, Caleb ensinava Naelli a montar e a ler o vento. À noite, sentavam-se à luz da lâmpada, compartilhando histórias que antes mantinham enterradas.
E quando a escuridão caía, Naelli vinha até ele por vontade própria.
Caleb não era um homem jovem. Ele tinha 50 anos, desgastado por uma vida de trabalho duro. Mas a força feroz e terna de Naelli, e o novo amor crescendo entre eles, era algo que ele não podia negar.
Por muitas noites, eles se uniram não apenas em corpo, mas de uma maneira que parecia um renascimento. Uma proximidade que a vida lhes roubara, agora devolvida em sua forma mais verdadeira.
Mas havia uma coisa que Caleb não percebeu. Seu corpo não era mais jovem.
Numa tarde sufocante, enquanto erguia um saco pesado de ração, uma onda de tontura o atingiu. Seu coração bateu como se tentasse escapar do peito. Ele tentou se manter de pé, mas tudo ficou preto.
Caleb caiu de joelhos e desabou no chão poeirento do estábulo.
Naelli ouviu o som. Ela correu e viu Caleb deitado lá, com a respiração fraca e o rosto pálido. Seu coração pareceu se partir.
— Caleb! — ela gritou, embalando a cabeça dele em seus braços.
Nunca na vida Naelli sentira tanto medo. Nem mesmo quando estava pendurada sob o sol. Nem mesmo com a lâmina de Wade em sua garganta.
— Não me deixe — ela sussurrou, as mãos trêmulas acariciando o cabelo dele. — Você me salvou da morte. Não me faça ver você morrer.
Ela o puxou da terra, descansando a cabeça dele em seu colo. O batimento cardíaco estava fraco, mas ainda lá. Lágrimas escorriam pelo rosto dela.
Naquele momento, Naelli entendeu com clareza dolorosa: se Caleb morresse, ela perderia a única pessoa que a vira como totalmente humana. Ela não era mais a mulher implorando pela vida das irmãs. Ela era agora alguém implorando ao destino para poupar o homem que seu coração escolhera.
Ela carregou Caleb para dentro, trêmula, mas resoluta. E naquela noite, pela primeira vez, os papéis se inverteram. Ela se tornou aquela que devia salvar.
Caleb permaneceu inconsciente por horas. O pequeno quarto era iluminado apenas pelo tremeluzir da lâmpada a óleo.
