Naquela noite, quando a lua pendia como uma lasca de lâmina no céu, Caleb estava construindo uma fogueira do lado de fora quando o som de cavalos trovejou à distância.
Poeira vermelha subiu ao ar sob o luar. Caleb levantou-se, os olhos se aguçando. Ele sabia que esse dia chegaria, e havia se preparado.
Silenciosamente, ele voltou para dentro da casa, verificou as trancas e olhou para as cinco irmãs dormindo. Naelli ainda descansava contra a parede, o rosto tenso enquanto o cheiro de poeira e cavalos a alcançava.
— É ele? — ela perguntou.
Caleb assentiu.
— Mas nós não vamos fugir. Não esta noite.
Porque naquela primeira noite, quando Naelli ainda estava meio inconsciente, Caleb já havia enviado um telegrama ao Xerife Allen: “Há cinco mulheres Apache sendo mantidas e torturadas. Morgan Wade pode estar por trás disso. Venha investigar imediatamente.”
Do lado de fora, os cavalos relincharam. Tochas ganharam vida. Mais de uma dúzia dos homens de Wade cercaram o rancho como uma matilha de lobos famintos.
Wade estava montado em seu cavalo negro. Um sorriso perverso esticava-se em seu rosto à luz do fogo.
— Caleb Ironwood! — ele berrou. — Entregue-as. Elas pertencem a mim.
Caleb saiu para a varanda. Um rifle Winchester em sua mão, o cano apontado para baixo — uma postura não de agressão, mas de proteção absoluta.
— Elas não pertencem a ninguém — disse Caleb, a voz baixa mas firme. — Elas são pessoas livres.
Wade soltou uma risada cruel.
— Livres? Apaches? Não seja estúpido. Eu as comprei do pai delas antes de ele morrer. Elas me devem. E você? Você não é grande o suficiente para ficar contra mim.
No momento em que Wade instigou seu cavalo para frente, o som de um apito policial estilhaçou a noite.
Vinte delegados da cidade surgiram do oeste, armas em punho. O Xerife Allen cavalgava na frente, apontando diretamente para Wade.
— Morgan Wade! Você está preso por sequestro, tortura e tráfico de seres humanos.
Os homens de Wade entraram em pânico. Wade girou o cavalo para fugir, mas um tiro de aviso congelou-o no lugar.
Naelli estava atrás da janela e assistiu a tudo, com o coração inchando com um sentimento que nunca conhecera antes. Pela primeira vez em sua vida, um homem se colocou entre ela e o mal — não por lucro, mas pelo que era certo.
Wade foi algemado no meio do pátio de Caleb, com o rosto pressionado contra o chão poeirento.
Caleb voltou para dentro e encontrou Naelli tremendo levemente.
— Acabou — ele disse suavemente. — Ninguém nunca mais vai machucar vocês.
E pela primeira vez desde o dia em que foi pendurada naquele poste de madeira, Naelli sentiu-se verdadeiramente segura.
Na manhã seguinte, assim que o sol despontou sobre as Montanhas Dragoon, o Xerife Allen voltou ao rancho.
Em suas mãos havia uma pilha de papéis gastos, carimbados em vermelho com o selo do tribunal territorial.
Allen falou devagar, cada palavra descascando as correntes invisíveis que prendiam as meninas há anos.
— Nós vasculhamos o depósito de Morgan Wade. Todos os contratos de dívida ligados à tribo de vocês… eram falsificações. Nenhum deles é legalmente válido.
Alohi engasgou.
— Então nós não devemos nada a ele?
